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07 junho 2014

Educação e educação musical (parte 5)

Educação e educação musical: Integrando conhecimentos para compreender a criança e as relações que ela estabelece com a música (parte 5)
Ilza Zenker Leme Joly

4. A educação musical no contexto escolar

De acordo com Maruhn (1986), a educação intelectual deve ser complementada por métodos que levem em conta uma variedade de possibilidades de expressão e exteriorização. Nesse sentido, é importante que a educação musical seja incentivada e desenvolvida desde os níveis mais elementares da escolarização de crianças e sua inclusão no currículo escolar poderia contribuir para a formação geral do cidadão.

Poucas pessoas, no entanto, possuem uma noção correta do que vem a ser educação musical e qual seu papel na educação formal dos indivíduos, afirma Hentschke (1995). Para a autora, existe um preconceito com relação ao que é fazer música proveniente da idéia de que o acesso ao conhecimento musical estaria restrito aos talentosos e aos economicamente privilegiados. Esse estigma tem gerado muitos problemas e um deles foi a exclusão de muitas pessoas ao acesso à aprendizagem musical. No entanto, é possível afirmar que, assim como existem pessoas com maior predisposição para matemática ou idiomas, existem pessoas com maior ou menor predisposição para a aprendizagem de música, mas todos são capazes de aprender e se expressar por meio da linguagem musical, não havendo justificativa para crianças e adultos serem excluídos dessa atividade. Da mesma forma, com relação ao fator econômico, a sociedade considera a educação musical como símbolo de "status" ou algo fútil e, infelizmente, não considera o potencial educativo do ensino de música para a formação integral do aluno.

Parece fundamental o questionamento de Hentschke (1995) sobre o papel da educação musical na escola. Pergunta ainda a autora: alguma vez, alguém disseminou a idéia de que a educação musical nas escolas teria como objetivo formar músicos profissionais? Por que surgem essas questões com relação à música, e não com relação a disciplinas como Ciência e História, por exemplo? Ela enumera então, algumas razões importantes para justificar a inserção da educação musical no currículo escolar. Entre elas estão proporcionar à criança: o desenvolvimento das suas sensibilidades estéticas e artísticas, o desenvolvimento da imaginação e do potencial criativo, um sentido histórico da nossa herança cultural, meios de transcender o universo musical imposto pelo seu meio social e cultural, o desenvolvimento cognitivo, afetivo e psicomotor, o desenvolvimento da comunicação não-verbal.

Um outro aspecto abordado por Hentschke (1995) refere-se à necessidade de inserir a educação musical como uma disciplina pertencente ao elenco do currículo escolar. A música, diz a autora, não é considerada uma disciplina tão séria como as demais disciplinas, e esse preconceito pode ser atribuído ao uso que tem sido feito dessa área de conhecimento e da atividade profissional decorrente dela. A atividade musical, em geral, está à disposição dos aspectos promocionais das escolas, com o objetivo de preparar um repertório musical para ser apresentado em comemorações cívicas e religiosas. No entanto, esse tipo de prática tem pouca ou nenhuma relação com os objetivos da educação musical e reflete uma defasagem no processo de desenvolvimento e reconhecimento da área musical em relação às outras áreas do conhecimento.

Finalmente Hentschke (1995) tece comentários sobre um terceiro aspecto, que diz respeito aos objetivos e justificativas do ensino de música na escola fundamental. Segundo ela, muitas crianças deixaram de gostar das aulas de música porque seus professores priorizavam o estudo da teoria musical, entendida como domínio da leitura e da notação musical tradicional. Nesse processo de aprendizagem as crianças começavam tomar contato com elementos da leitura musical antes mesmo de pesquisar e explorar as diversas possibilidades sonoras existentes no ambiente em que viviam. Esse tipo de abordagem fazia da aprendizagem musical algo enfadonho e sem significado imediato para as crianças.

Tal situação, segundo Brito (1998), está relacionada ao problema da formação musical dos profissionais, que, não raro, julgam-se capazes de incorporar a música no cotidiano escolar, mas que não possuem um conhecimento adequado acerca do processo de desenvolvimento musical das crianças. Quando uma criança toca um tambor, diz a autora, ainda que repetindo uma ação proposta pelo orientador, ela precisa ser incentivada a ouvir o som resultante dessa ação e aprender a diferenciar qualidades do som. Irá, dessa forma, perceber como soa o tambor se percutido de um jeito ou de outro,com pouca ou muita força, no centro ou nas bordas da pele, com um determinado tipo de baqueta ou outro diferente. Se for solicitada a cantar, por exemplo, perceberá com alguma orientação e pouca dificuldade, as diferenças entre cantar e gritar.

É importante, portanto, estar atento a esses aspectos de forma que a música possa estar presente na escola como um dos elementos formadores do indivíduo. Para isso que isso aconteça de fato, é importante que o professor seja capaz de observar as necessidades de seus alunos e identificar, dentro de uma programação de atividades musicais, aquelas que realmente poderão suprir as necessidades de formação desse aluno.

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