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24 maio 2014

Educação e educação musical (parte 2)

Educação e educação musical: Integrando conhecimentos para compreender a criança e as relações que ela estabelece com a música (parte 2)
Ilza Zenker Leme Joly

1. Sobre o homem e a cultura musical

O ser humano vem fazendo música há muito tempo. Provas arqueológicas citadas por Menuhin e Davis (1990) sugerem que o homem primitivo usava tambores, flautas e ossos como instrumentos musicais, muito antes da Era Glacial. Os autores também afirmam que não se tem conhecimento a que se destinavam esses instrumentos de 300 séculos atrás, embora seja possível imaginar que eram utilizados em cerimônias e rituais, sacros e profanos. O homem primitivo comunicava-se por meio de sons e silêncios que traduziam informações objetivas, mas que provocavam também sentimentos e emoções.

De acordo com Brito (1998) no decorrer do processo de construção de cada cultura específica, o ser humano transformou em linguagem expressiva a relação (inicialmente utilitária e funcional) com o fenômeno sonoro chegando à denominação atual do termo música como jogo de organização e relacionamento entre som e silêncio que acontece no tempo e espaço. Para a autora, a música é a “alquimia” que, organiza sons de diferentes qualidades (graves ou agudos, curtos ou longos, fortes ou suaves, com texturas diversas). Ela gera formas sonoras que expressam e comunicam emoções, sensações, percepções e pensamentos que refletem o modo de sentir, perceber e pensar de um indivíduo, de uma cultura ou época. É por isso que diferentes povos ou culturas possuem um repertório musical específico, cada um diferente do outro, assim como existem, na história da música, diferentes estilos e formas de composição.

Segundo Brito (1998) a música é uma forma de linguagem que faz parte da cultura humana desde tempos muito remotos. Ela faz parte do conhecimento humano, é uma forma de expressão e comunicação e se realiza por meio da apreciação e do fazer musical. Entre as características da linguagem musical é possível destacar o caráter lúdico, ressaltando que a música é um jogo de relações entre sons e silêncios; a existência de diferentes sistemas de composição musical; que o ruído pode ser, também, material musical e que a idéia musical é autônoma, pois nada expressa além de si mesma, comunicando informações objetivas.

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