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23 maio 2014

Educação e educação musical (parte 1)

Olá, pessoal! Hoje vou compartilhar mais um texto da professora Ilza Zenker Leme Joly (UFSCar). Ele será dividido em 9 parte, então daqui até a próxima semana, ele será todo publicado! As referências utilizadas pela autora virão junto com a última parte do texto!

Aproveitem a leitura!


Educação e educação musical: Integrando conhecimentos paracompreender a criança e as relações queela estabelece com a música (parte 1)
Ilza Zenker Leme Joly*

“A música é órfã e será sempre órfã até que haja um forte investimento na educação musical para jovens e crianças” .
Leonard Bernstein, 1991

A inserção das artes, incluindo a música, no processo de formação do indivíduo tem sido muito valorizada por algumas sociedades atualmente. Na grande maioria dos países desenvolvidos, tais como Estados Unidos, Canadá, Áustria, Alemanha, Holanda, Finlândia, etc., há um reconhecimento de que a educação musical, seja ela formal ou informal, ensina às crianças requisitos importantes para a vida adulta. Estudos realizados por Vikat (1996) com um grupo de 20 (vinte) crianças na idade pré-escolar, durante um ano, revelaram que existe uma relação estreita entre o desenvolvimento musical e o desenvolvimento intelectual dos indivíduos e que o desenvolvimento musical está relacionado com outros processos de cognição tais como o desenvolvimento da memória, da imaginação, da comunicação verbal e corporal.

A música também tem sido reconhecida como parte fundamental da história da civilização e também como excelente ferramenta para o desenvolvimento de inúmeras capacidades humanas, entre elas o autoconhecimento e a auto-expressão. No entanto, é sabido que o número de pais, professores e indivíduos que conhecem e compreendem o valor da música no processo de educação da criança é ainda reduzido no contexto educacional brasileiro. Para que exista a valorização da educação musical é necessário que haja um esforço para que a música e as outras artes sejam incluídas no currículo básico de educação, não apenas pelo seu valor intrínseco mas, especialmente, porque são elementos fundamentais para a formação de um indivíduo educado e consciente.

Estudos realizados por Gainza (1988) e apresentados em diferentes congressos e reuniões científicas, afirmam que a música e o som, enquanto formas de energia, estimulam o movimento interno e externo no homem; impulsionam-no à ação e promovem nele uma multiplicidade de condutas de diferentes graus e qualidades. O bebê atua como receptor de sons e reclama – chorando ou tapando os ouvidos – se a intensidade desses sons ultrapassar o limiar e saturação de seu sistema receptor. A criança em idade escolar não costuma escutar o som da música que ela mesma produz, grita quando canta e bate nos instrumentos ao invés de tocá-los, a menos que tenha sido treinada para proceder de forma diferente, ou caso tenha ao seu redor modelos capazes de induzir comportamentos mais refinados que os correspondentes à sua idade. O pré-adolescente toca osinstrumentos com timidez porque é difícil para ele estabelecer uma comunicação com o ambiente em que vive. O adolescente, afirma ainda a autora, coloca na música sua mente e seu afeto, mas dificilmente seu corpo. Quer expressar-se a qualquer custo e seu sistema corporal, embora desajeitado, está desejoso de aprender e re-aprender. E o adulto, cidadão comum ou o adulto músico, seja ele profissional ou amador, manifesta uma gama de reações específicas diante do som e da música, dignas de serem observadas e analisadas em seus aspectos essenciais. Aconduta musical, diz Gainza, reflete os diferentes aspectos e o nível de integração atingido no processo de musicalização. Ela também expressa um determinado nível de musicalização individual, ou seja, um certo grau de sensibilidade, compreensão, treinamento e cultura em relação à música.

Segundo Gainza (1988) é tarefa dos professores proceder adequadamente para conduzir cada indivíduo ao seu estado ótimo de desenvolvimento pessoal. Para isso, aqueles que se interessam pelas condutas musicais e decidam observá-las e praticá-las sistematicamente deverão estar munidos não apenas de instrumentos de ensino e pesquisa efetivos, mas também de uma profunda experiência no contato com a música. Para a autora, a missão do educador musical consiste em vincular a criança com a música, descobrir as capacidades latentes em seus alunos e orientá-los de forma decidida em seu desenvolvimento.




* Texto publicado na disciplina Educação Musical: Prática e Ensino (Música/EaD - UFSCar)


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