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06 fevereiro 2013

Funk Carioca é feio!


Olá pessoal, 

Hoje vou sair um pouco da nossa linha de postagens, o espirito de Carnaval me pegou e comecei à pensar um pouco sobre a negação que temos de nossa cultura e a chamada música de massa, mais precisamente o polêmico FUNK CARIOCA!!

Dá até um certo medo colocarmos em pauta essa conversa, mas acho essencial para o educador pensar à respeito da perseguição à diversos estilos musicais.

Antes de começar meus estudos na universidade eu gostava de rock, de jazz, de blues, por ser guitarrista e viver nesse meio sempre pensei no funk carioca como uma música péssima, era uma vergonha pensar que fora do país, atualmente, somos conhecidos por esse estilo musical, o Brasil que sempre foi famoso pela bossa-nova e samba de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Quando comecei a pensar em educação musical na escola fiquei extremamente preocupado com isso, como trabalhar música "boa" com os alunos que só conhecem o funk atualmente?

Comecei então a repensar meu preconceito, porque música boa? Porque necessariamente, a música de Tom Jobim é melhor que Tati Quebra-barraco? (exemplo desatualizado já que hoje ela não aparece tanto como representação do funk carioca nos tempos atuais), podemos discutir durante horas a respeito da qualidade musical da música do Tom sobre a de Tati, mas dai vem as perguntas:

·        Qual o significado da música de Tom Jobim para um aluno da periferia?

·        É válido eu entrar na sua escola e tentar fazer uma lavagem cerebral em meu aluno e fazê-lo acreditar que o que ele escuta, conhece e representa sua realidade é uma música de péssima qualidade?

·       O que realmente é musica de qualidade? E qual a função da música para este aluno?

·        Por que não existe essa perseguição com o rap atualmente?

Minha intenção aqui não é defender que o funk carioca deve ser ensinado na escola, eu acredito pessoalmente, que assim como o samba, (já citado por Noel Rosa: “Ninguém aprende samba no colégio”) isso não seja possível e nem necessário, mas porque negar e desqualificar um estilo que hoje representa grande parte de nossos alunos? Ou melhor por que negar sem REALMENTE CONHECER?
De onde vem o este funk? O que ele realmente fala?

Venho pesquisando e lendo à algum tempo sobre isso, tenho assistido documentários, lido o pouco que se tem falado dele fora da mídia (que ao meu ver critica mas também utiliza sua popularidade como bem entende), e acredito que no mínimo o funk pode ser uma ponte para que se trabalhe qualquer coisa na sala de aula. Mas que antes de criticar esta representação musical de nosso país cabe ao educador musical pesquisar e argumentar contra, na minha opinião a letra vulgar, a falta de uma melodia e harmonia (que podem ser contestados) e a apologia ao crime não podem ser utilizados como argumentos válidos, porque mesmo o rock que tanto ouvi na minha adolescência tem tudo isso e nunca foi tão massacrado.

Separei dois documentários que falam sobre este estilo; “Favela Bolada” e “Sou feia mais tô na moda”. Também encontrei um livro chamado “Funk Carioca – crime ou cultura?” de Janaina Medeiros, não li inteiro mas parece apresentar um conteúdo muito bom.

Também coloco o link de um artigo publicado na revista da ABEM de Maura Penna, em que ela discute como trabalhar a diversidade cultural dentro da sala de aula.

Alguns artigos científicos podem ser encontrados facilmente no Google acadêmico, não coloquei o link por ser bem fácil de serem encontrados.

LINKs:

http://www.youtube.com/watch?v=bu7HH0sMOKs (Favela Bolada parte 1, são seis partes, não linkei todas porque elas aparecem nos links relacionados ao lado direito)

http://vimeo.com/14325487 (Sou feia mas tô na moda – completo)

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/busca/busca.asp?palavra=8587556746 (Capa do livro Funk Carioca – crime ou cultura? de Janaina Medeiros no site da livraria cultura, lá diz que o livro está esgotado no fornecedor)

http://www.abemeducacaomusical.org.br/Masters/revista13/revista13_artigo1.pdf (Poéticas musicais e práticas sociais: reflexões sobre a educação musical diante da diversidade – Maura Penna)

Bom, é isso pessoal, espero que este texto sirva para que possamos refletir melhor a respeito do nosso papel como educadores, e se for o caso que sejamos contra o funk, mas não antes e estudar a respeito.

Um abraço a todos,




Um comentário:

  1. oi! recomendo esse documentario mais atualizado sobre o funk de agora:
    http://www.youtube.com/watch?v=5V3ZK6jAuNI

    eh muito bom!
    sempre procuro trabalhar o funk em sala de aula, se eh o interesse e repertorio mais apresentado pelos alunos...

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